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Comunidade empresarial do Brasil reunindo em torno de direitista

O queridinho dos mercados, o ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, praticamente desapareceu da disputa nas últimas semanas, apesar do apoio do grande partido e de mais tempo livre do que qualquer outro candidato.

Líderes empresariais e mercados financeiros na maior economia da América Latina estão se livrando de suas dúvidas de se unir em torno da candidatura do líder da pesquisa Jair Bolsonaro, um capitão do exército aposentado que repetidamente disse que não entende a economia.

Para muitos brasileiros, a candidatura de Bolsonaro na votação de domingo provocou temores por causa de sua propensão para a nostalgia da ditadura do país entre 1964 e 1985, junto com seu fluxo constante de comentários depreciativos sobre mulheres, negros, povos indígenas e gays. De sua parte, os líderes da indústria preocuparam-se com o que viram um governo grande, um traço populista em declarações passadas e seu histórico de votação.

A crescente decisão da comunidade empresarial de manter o nariz pressionado está sendo impulsionada por fatores que vão desde a decisão de Bolsonaro de nomear um banqueiro estimado como chefe de sua equipe econômica a temer pelo retorno das políticas de esquerda do Partido dos Trabalhadores.

O queridinho dos mercados, o ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, praticamente desapareceu da disputa nas últimas semanas, apesar do apoio do grande partido e de mais tempo livre do que qualquer outro candidato.

Bolsonaro lidera as pesquisas no concorrido campo de 13 candidatos, seguido pelo candidato do Partido dos Trabalhadores, Fernando Haddad, que deve se encontrar com ele em um segundo turno de 28 de outubro.

“Para os mercados, Bolsonaro não é um candidato ideal, mas representa menos risco do que Haddad”, disse Gilberto Braga, professor de finanças da universidade Ibmec, no Rio de Janeiro.

Alguns são céticos de que Bolsonaro realmente represente menos riscos para a economia ou para outros aspectos da sociedade.

Além de comentários divisivos, algumas das propostas de Bolsonaro, como reprimir a criminalidade, dando mais liberdade às forças policiais já violentas, estão provocando arrepios em muitas comunidades.

Ele prometeu preencher seu gabinete com generais atuais e antigos, levantando o espectro de um governo militar de fato. Historicamente, líderes de tais governos em muitos países aumentaram o controle estatal sobre a economia, não a reduziram.

“A única pessoa que é mais propensa a transformar o Brasil na Venezuela é Bolsonaro”, disse Monica de Bolle, diretora de Estudos Latino-Americanos da Universidade Johns Hopkins.

Durante seus 27 anos no Congresso, Bolsonaro, que representa o Rio de Janeiro, realizou muito pouco: apenas dois projetos de lei que ele propôs foram transformados em lei. Ele também repetidamente votou contra as privatizações e outras políticas econômicas que agora diz apoiar.

Ainda assim, nos últimos meses, as bolsas de valores aumentaram e o real ganhou força contra o dólar americano a cada vez que a candidatura de Bolsonaro apareceu para ganhar força. Várias pesquisas mostram que Bolsonaro ganhou mais de 10 pontos desde 6 de setembro, quando foi esfaqueado e hospitalizado durante uma campanha.

Ele agora comanda 35 por cento das intenções eleitorais, contra 22 por cento de Haddad, de acordo com uma pesquisa do Datafolha publicada na quinta-feira. A pesquisa entrevistou 10.930 eleitores na quarta e quinta-feira e teve uma margem de erro de 2 pontos percentuais.

Bolsonaro, que prometeu cortar impostos e reduzir a burocracia, ganhou endossos de empresários e associações industriais.

Ajudando a impulsionar Bolsonaro foi a nomeação de Paulo Guedes, um economista formado na Universidade de Chicago, como seu principal conselheiro econômico.

Guedes é um banqueiro e um grande acionista da empresa Br Investments, que possui várias empresas no varejo. Ele defendeu a privatização de todas as empresas estatais brasileiras, incluindo a Petrobras.

Mas enquanto Bolsonaro freqüentemente adia a Guedes, ele também contradiz seu assessor econômico às vezes, criando confusão. Na verdade, Guedes praticamente desapareceu da campanha desde o cancelamento de dois eventos em 21 de setembro.

Poucos dias antes, Guedes sugeriu a ideia de restabelecer uma taxa de transferência bancária impopular. De seu leito de hospital, Bolsonaro twittou que sua equipe havia descartado novos impostos.

“Ele não tem experiência política”, disse Bolsonaro ao jornal Folha de S.Paulo, referindo-se a Guedes. “Ele dá palestras de uma hora de duração, diz uma coisa em poucos segundos e a imprensa vai atrás dele.”

Bolsonaro também está recebendo um grande impulso dos brasileiros que não querem um retorno ao Partido dos Trabalhadores, que ocupou a presidência de 2003 a 2016. Muitos culpam o partido pelos maiores escândalos de corrupção na história do país, o chamado “Carwash”. investigação em bilhões de dólares em subornos a políticos e outros funcionários por meio de propinas de contratos de construção.

Muitos economistas também dizem que as políticas de gastos pesados ​​do partido, particularmente nos últimos anos sob a ex-presidente Dilma Rousseff, contribuíram para a pior crise econômica do país em décadas.

Dilma Rousseff, que sucedeu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2011, foi impugnada e afastada do cargo em 2016 por administrar ilegalmente o orçamento federal. Dilma negou irregularidades e disse que foi vítima de um “golpe”.

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